sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Luz lista...

E muitos riem de sua gramática imperfeita
Mas são leitores da semântica torta.
Na superficialidade dos “formadores de opinião”
Vi uma direita procurando outra direção
Pra não ter que aprumar a rota e topar com o lado oposto.
E até prefiro ver a oposição na mentira
A ver o governo a mentir pra ela...
Pois vi o presidente com muito a dizer
E não o deixarem soltar as palavras.
Mas os entorpecidos pela informação distorcida,
Terão de calar-se diante de quem nem se permite a fala
Pois os NÚMEROS falaram mais que suas PALAVRAS.

E que ele continue a listar o NOVO
para calar os falantes argumentos velhos...

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

"Sem-trilha"

Queria enxergar,
mas estava escuro demais
para ver qualquer coisa

E propuseram-me acostumar
a buscar às cegas...

Mas acostumar-se ao escuro
é dilatar a pupila
e ainda assim não enxergar o claro...

E fico a não me submeter à desistência
e a procurar o que as pessoas,
já tão imersas no obscuro,
não conseguem distinguir.

Só que ainda está escuro demais pra enxergar qualquer coisa.
E, ao reverso do que ocorre com tantos,
vou seguindo sem trilha não por faltar-me uma,
mas por haver até demais...

Pois hoje busco o claro, sem nem saber se ele é o escuro...

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Errando corretamente...

E vou ceder
pra não ver o que seria acerto
virar um erro em mim...
E vou seguir
Corrigindo o "correto",
antes que o "correto" me corrija...

A surpresa que sempre sei que chega...

Nosso conhecimento
é compartilhado assim
crescendo sem rumo, sem fim
fazendo um ceder, o outro rever
e uma conclusão final
virar ponto de partida.


Quando se sabe que uma surpresa há de chegar
surpresa não mais será, e será o previsível.
Sendo que queiram me desculpar,
mas ele até aqui
me surpreende e desmente tudo...
E as respostas proferidas
da boca auto-falante de quem dita
hei de esperar como surpresas,
e ainda assim... elas serão.

Pois por mais que te conheça como ninguém,
nosso diálogo sempre me faz querer te conhecer ainda mais...
e esse ponto de partida será, aqui, meu ponto final.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

O que fala teu arrepio?

E era ssim que começava sua carta.


Depois, ele me veio com mil frases roubadas,
de grandes nomes e rimadas,
declarando que o amor era recíproco...

Achei tudo tão tosco,
e esse cara meio tolo,
mas voltei a ler o que,
enfim, cifrou com as próprias notas...

E disse que ouviram por aí
que a pele que cobre a mim
foi arrepio ao vê-lo passar...

Daí, me cogitou se ansiedade,
rumores de vontade,
ou amor não declarado.
Se queria vê-lo,
Ou no fundo havia medo
de dar de cara, e não saber
como me portar...

Sabe, disse-me que quando escutamos algo
que nos marcou, nos arrepiamos.
E quando vemos alguém que tanto queremos,
o mesmo pode acontecer...
Terminou o racicíno, então, dizendo que o meu arrepiar
havia desnudado o que eu sentia...

E Ainda enfatizou: "se suaste friou ou
teu sangue veio a efervecer, por dentro
nunca hei de saber, mas sei que por fora
gritaste meu nome..."

óh, um romântico!

Até poderia aceitar que o arrepio exterioriza sentimentos de quem ama,
e que não deixa mentir a quem assim se escama,
e que tudo que te toca de tal maneira, rubrica ali sua passagem
elevavando-te os pê-los.

Não fizesse a vontade de ir ao banheiro,
eu me arrepiar e suar frio da mesma maneira...

O que fala meu arrepio? Talvez o teu, agora,
fale um sentimento de verdade...

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Silêncio, cala-te!

Teu silêncio faz com que
quem deseja falar, se cale...

Permaneceremos, então, calados
na crença de que o outro,
um dia, há de clamar por regresso...

O silêncio falará mais alto,
pois calados nem mesmo a ele
pediremos trégua.

E fará com que agonizemos
e quando pudermos nos refugiar
insistiremos no sofrimento
pois como masoquistas que somos
calaremos e consentiremos...


E assim seguiremos
à espera de quem se curve...
E assim seguiremos
nessa postura irredutível...
E assim seguiremos
a findar um sentimento
que as vozes, hoje caladas,
um dia disseram... Ser imperecível.

Perdoe-me por te despir,
Mas te exteriorizas a mim sem sintomas,
quando por dentro sei que vives morrendo!

sábado, 25 de julho de 2009

Escute meu silêncio...

E me lembro da noite em que discuti com Maria...

E como quem dava tudo por terminado,
apenas disse para que ela me esquecesse...

E Lembro ainda que, antes da batida do telefone
e do nunca mais à voz de Maria,
ela ainda conseguiu me dizer: escute...

E o pior é que, isto, eu consegui escutar...

Mas quando soube de sua morte, ó Deus,
queria não ter escutado,
não ter batido o telefone,
não ter nem sequer atendido a essa renúncia...


Porque pedi para que ela me esquecesse,
E o que consegui foi não me esquecer
nem mesmo do que nunca foi dito...


E jamais saberei...