Era mais uma aula como tantas outras da faculdade. No primeiro dia, numa outra aula, consegui aquilo que de uns tempos pra cá tive muita facilidade: estar presente em todos os grupinhos da turma. Talvez pareça até fútil ser a menininha “popular”, mas não foi assim que me vi. Era a prova de que eu sou hoje o avesso de quando eu tinha lá meus 13 anos. A idade talvez me tornara, assim como tantos jovens, criancinha demais ? Não. Nessa época, não era uma questão de ser madura ou não, afinal, criança também tem amigos. Lembro-me bem que andava sozinha na hora do intervalo, comendo, procurando alguém pra conversar, mas todos pareciam já ter fechado os grupos pra mim. Parecia uma louca que perambulava, procurando não sei o que, não sei onde. “ Ah, o problema está nos outros.” (dizia), olhava o defeito das pessoas e achava-me perfeita. Perfeita? Vejo que não o era. Se pudesse um dia ser essa “perfeitinha” que julgava ser, com certeza jamais teria dito isso, afinal, esse era o meu maior defeito: o meu Eu era grande demais. E o ele ? E o nós, vós, eles? Se tivesse que conjugar alguma coisa, a perfeitinha certamente esqueceria-se dos outros pronomes, o Eu já valeria por todos os outros não é mesmo? Fui muito julgada e criticada por todos, amigos estavam distantes, amigos inimigos, rótulos sem fim, tudo para referir-se a menina que se achava. Não me contraponho agora às críticas, (como fizera na época do ocorrido), meio que paradoxalmente, os insultos e o desrespeito foram para mim a alavanca necessária para que me tornasse realmente mulher. Achava que o problema estava nos outros, isso sim era um problema meu, o problema era todo e somente meu. A situação em si me condicionou a mudar, agora é como se cupins tivessem acabando com aquela casca da madeira que me tornava tão superficial e que foi aos poucos se deteriorando. Há mals que vêm para o bem, uma lição no fim das contas. Senti-me como quando alguém faz algo de errado, ele pode ser compreendido pelo grupo, mas também pode ser criticado, e há críticas que fazem a pessoa refletir: onde foi que eu errei? Por que me trataram assim?
Do colégio para a faculdade a diferença é gritante. As pessoas têm outras perspectivas e visões de mundo, vejo-as mais maduras que os colegiais, mas há sempre uma exceção. Assim como “ a menina do grande Eu", deparei-me em plena faculdade com alguém, com seus quase 20 anos,que, acredito eu, não teve cupins necessários para mostrar-lhe que em uma caixa cheia de madeiras, ela é tão madeira quanto as outras. Julgava-se um móvel talvez? Seria superior? Infelizmente era assim que ela pensava.
Não tem como não comparar as duas personagens que aqui conto a história. O Eu de ambas estava acima de qualquer coisa. A primeira no âmbito físico, enfatizava a perfeição do seu estético, mas mudou. Camila, a segunda, mostrava um eu que não era uma questão de apenas olhar para si, mas um olhar para si em meio a um desejo do fracasso alheio.
E foi nessa aula, como tantas outras da faculdade, que pude perceber o quanto o grande Eu era pequeno. O quanto a grande pessoa se diminuía. Grande? Não conseguia ser sozinha. Penso cá comigo mesma: “ Para ser grande, precisava diminuir os outros” Não era grande de verdade.
Foi exatamente nessa aula que estavam lá as duas meninas do Eu. A do estético, agora realmente era grande, afinal sua conjugação de erros ficara no passado. Mas é no presente que Camila não tem mais seus 13 anos...
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